segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Tecidos Africanos e Paisagens Corporais

No último sábado de outubro fiz um oficina na Ação Educativa: África – Milenares Paisagens para o corpo, coordenada por Luciane Ramos (Luli), com acompanhamento musical da Troupe Percussiva do Ballet Afro Koteban.

A proposta da oficina foi “utilizar as linguagens do corpo como ferramenta principal de interação, tomando contato com o universo cultural Mandingue (costa ocidental africana) elucidando algumas de suas riquezas históricas e artísticas. Tudo conduzido pela dança e pulsar dos ritmos”.

Luli levou alguns tecidos (forrou o chão com eles). Ela realiza uma pesquisa sobre a relação dos tecidos africanos com seu local de fabricação (tecidos africanos fabricados na Índia ou China). O argumento é que são africanos por possuir padronagem africana, tem identidade com o povo africano e são fabricados para o consumo africano. Por exemplo aqui no Brasil, não encontramos esse tipo de tecido, com cores e padronagem. Talvez único trabalho que exista (no Brasil) seja de Goya Lopes , em Salvador.

Explicou de forma muito interessante a ocupação do território africano, desde das antigas etnias, passando pela colonização que provoca uma nova configuração do território. França, Inglaterra e Portugal criam fronteiras colonizadores que desrespeitam a organização social e política dos povos africanos.

Falou sobre a sabedoria africana, que a metalurgia nasce (em Oyó) com os africanos, como também muitas formas arquitetônicas (Dogon), a tecelagem com padrões estampados a partir de molde vazado. Também comentou sobre a tradição oral desenvolvida pelos Djelis/Griots que são os narradores de grandes feitos heróicos dos antepassados.

A música é a totalidade da organização cinética – mãos, ombros, cabeças. Um movimento que vai além do mecânico – tocar. Esse tocar é sentir, sentir com o corpo. Então esse sentir aproxima-se muito da dança que também é sentir pelo corpo. Sentir o pulsar das batidas e o corpo responder. Na África o corpo é partido, tudo se movimenta de forma diferente. Na dança Ocidental o corpo é um todo que se movimenta como uma única peça. Está aqui a diferença nos movimento, no sentir , no dançar.

A dança é atitude corporal, basta observar o gesticular dos orixás; como também é contexto, ações do cotidiano: casamentos, circuncisão, iniciação, colheitas. Para cada coisa um ritmo: Yan Kadl – Sussu – sedução; Soko – malintê- purificação; Kassa – colheita; Soli – Sudão- circunsição; Djeli-do – griots.

Na África existem os Balés nacionais, fundados a partir da década de 1970 na busca de valorizar a cultura africana: Les Ballets Africains, no Senegal e a Companhia Nacional de Canto e Dança de Moçambique.

Depois de tudo isso Luli colocou o grupo para dançar....

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